Archive for the 'Jeito Alegre' Category

ASSIS BRASIL

Em 1965, o jovem escritor Assis Brasil publicou Beira Rio Beira Vida, romance que lhe rendeu o Prêmio Walmap, à época, o mais importante da literatura brasileira. Sobre o romance, o crítico Fausto Cunha afirmou: “É um retrato insolúvel duma comunidade sufocada pelo primitivismo capitalista, um mundo em que a sociedade se estratificou implacavelmente, onde as prostitutas são prostitutas, os pobres são pobres, os ricos são ricos – quase à revelia do eventual saldo financeiro. Não existem vasos comunicantes. Quem quiser realizar-se terá de fugir, terá de ir para fora. As dobradiças do sistema estão, porém, de tal modo enferrujadas que a fuga é praticamente impossível”.

Assis Brasil resolveu, então, escrever mais três romances tendo como cenário o Piauí, nascendo assim a Tetralogia Piauiense que se completa com os romances: A Filha do Meio Quilo, O Salto do Cavalo Cobridor e Pacamão. Os quatros romances, publicados num único volume, está esgotado há bastante tempo, com exceção do primeiro que teve sucessivas edições. Até o início de abril, a FUNDAPI, em parceria com a Oficina da Palavra, entregará ao público uma nova edição da obra, há muito reclamada pelos leitores piauienses. Será a primeira vez que o escritor Assis Brasil será editado no Piauí. Entusiasmado com a receptividade de sua obra em sua terra natal, Assis já planeja uma série de livros infanto-juvenis denominada “Os Jovens Gênios”. Serão biografias dos grandes vultos da humanidade que se revelaram precocemente. Escritos em linguagem acessível, a série será lançada ainda este ano, em regime de co-edição entre a Oficina da Palavra e a Livraria Nova Aliança.

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H. DOBAL

Hindemburgo Dobal Teixeira nasceu em Teresina, em 1927. Bacharel em Direito, funcionário público aposentado, residiu em Brasília, Londres, Berlim. É doutor honoris causa pela Universidade Federal do Piauí. Publicou: O tempo conseqüente (1966); O dia sem presságios (1970 – prêmio Jorge de Lima do INL); A viagem imperfeita (1973); A província deserta (1974); A serra das confusões (1978); A Cidade substituída (1978); Os signos e as siglas (1986); Um homem particular (1987); Uma antologia provisória (1988); Cantiga de folhas (1989); Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina (1992); Ephemera (1995); e Grandeza e glória nos letreiros de Teresina (1997).

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ARIANO SUASSUNA

“Essa visão de que as forças rurais que meu pai liderava eram o atraso, o obscurantismo, o mal. E as outras representavam o bem e o progresso. “A Pedra do Reino” foi uma das armas que usei para reagir contra essa visão estreita (O pai foi assassinado quando ele tinha apenas 3 anos de idade).
Eu fiz o livro com a intenção de ser universal. Se eu o consegui ou não, é difícil determinar porque só o tempo vai dizer. Mas realmente acredito que o ser humano é o mesmo em todos os lugares e em todos os tempos. Então, se em “A Pedra do Reino” consegui tocar na vida, na história do homem nordestino, estou tocando, também, nos problemas dos homens de todos os lugares do mundo”.

Ariano Suassuna nasceue m João Pessoa [PB], quando o pai, João Suassuna, governava a Paraíba. Ainda na primeira infância mudou-se para Taperoá, no sertão – terra do saudoso e grande educador Marcílio Flávio Rangel Farias, do Instituto D. Barreto, em Teresina – onde permaneceu até os quinze anos. Nessa época, temperou a sua índole de sertanejo, continuando assim uma tradição familiar que vinha dos quatro avós. O pai é originário do Catolé do Rocha. A mãe, nascida Rita de Cássia Dantas Vilar, tem raízes em Desterro, Teixeira e na própria Taperoá.

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PATATIVA DO ASSARÉ

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como “Patativa do Assaré”, nasceu na Serra da Santana, município de Assaré (CE) em 5 de março de 1909, e morreu, em sua terra natal, no dia 8 de julho de 2002. Patativa, considerado o maior poeta popular do Brasil, foi um vate, um aedo, na acepção plena do termo. Ao longo de sua trajetória, comportou-se como um porta-voz do povo sofrido do Nordeste. Sua poesia, às vezes, tinham o tom súplica; com muita freqüência, era um brado de indignação contra as injustiças do mundo. A despeito disso, tinha senso de humor e um talento extraordinário para improvisar. Em 2000, fui a Assaré para conhecê-lo. Recebeu-me com cordialidade e respeito. Quando me preparava para despedir-me, ele declarou: – Me disseram que o senhor também é poeta. Pois faça um verso pra eu ver. Tentei desconversar, mas ele insistiu tanto que acabei arriscando:

PATATIVA, EU LHE PERGUNTO,
ME RESPONDA SE SOUBER:
EXISTIRÁ NESSE MUNDO
BICHO MELHOR QUE MULHER,
SE EXISTIR, COM CERTEZA,
É NO SERTÃO DE ASSARÉ.

Sem pestanejar, o velho poeta emendou:

SE EU DISSER QUE EXISTE,
TALVEZ ESTEJA ENGANADO:
A MULHER É O PERDÃO,
MAS É TAMBÉM O PECADO.
SÓ NÃO GOSTA DE MULHER
QUEM É BAITOLA OU CAPADO.

Não esqueceu de recomendar: – Não vá publicar isso não, viu? Vi, mas não resisti.

Cineas Santos

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