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CONCORDÂNCIA VERBAL (1)

Regra geral:

O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.

Comprove:

No final do dia, voltam as ovelhas ao redil.

Às vezes, a vida nada nos ensina de útil.

Far-se-ão as mudanças necessárias no texto.

Chegou, no final da tarde, o documento esperado.

Lembre-se de que as frases elaboradas na ordem inversa podem induzir o redator inexperiente a erros. Veja os exemplos:

Falta cinco minutos para o final da aula.

Vai-se os anéis e fiquem os dedos.”

Aluga-se roupas usadas.

Observe que, nos três exemplos, os verbos antepostos aos sujeitos não concordam com eles (minutos, anéis e roupas usadas, respectivamente).

Corrigindo:

Faltam cinco minutos para o final da aula.

Vão-se os anéis e fiquem os dedos.

Alugam-se roupas usadas.

Muito cuidado com as frases construídas na voz passiva sintética ou pronominal: os erros são freqüentes. Comprove:

Passaram-se os meses e não se via mudanças significativas.

Veja que na segunda oração o verbo ver está no singular e o substantivo mudanças, no plural. Este erro decorre do seguinte raciocínio: o redator do texto partiu da premissa de que o sujeito da oração é indeterminado, logo o verbo deve permanecer na 3ª pessoa do singular. Nada mais falso: o sujeito é justamente mudanças com o qual o verbo deve concordar. O se não é, como pode parecer, índice de indeterminação do sujeito; é pronome apassivador. Comprove:

Passaram-se os meses e não se viam mudanças significativas.

Equivale dizer: mudanças significativas não eram vistas.

Por oportuno, vale lembrar que indeterminado em tal oração e o agente da passiva e não o sujeito.

Compare os dois exemplos:

Contratam-se operários qualificados.

Precisa-se de operários qualificados.

Apesar da semelhança, as duas construções são absolutamente distintas: na primeira, a expressão operários qualificados funciona como sujeito, daí o verbo no plural; na segundo, o termo operários qualificados funciona como objeto indireto; o verbo permanece, portanto, na 3ª pessoa do singular. O se, na primeira, é pronome apassivador e, na segunda, índice de indeterminação do sujeito.

*

Por hoje, é isso.

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SINAIS DE PONTUAÇÃO

VII – aspas

Normalmente, empregam-se as aspas antes e depois de citações textuais ou para indicar palavras ou expressões que, de alguma forma, afastem-se da norma padrão: estrangeirismo, gírias, neologismos, etc.

Guimarães Rosa afirmava: “Viver é negócio perigoso”.
Apeles, pintor grego, ao ser criticado por um sapateiro, não se conteve:”Sapateiro, não passes além das sandálias”.
“Herói é quem não teve tempo de fugir”, afirma Millôr Fernandes.
Para solucionar um problema tão grave, não basta um bom “slogan”; é preciso ação.
Por favor, sem “sugesta”, rapaz!
Dário tinha “solucionática” para qualquer problemática.

Obs.: Quando as aspas combrem o período inteiro, o ponto e colocado dentro delas; quando cobre apenas parte do período, o ponto e posto depois delas.
Confira:

“O amor é o pior dos remédios: cura e mata.”
Eu vos asseguro: “o amor é o pior dos remédios: cura e mata”.

Lembre-se de que quanto se usa aspas em texto que já está entre aspas, emprega-se aspa simples . Veja:

“A ignorância , ‘mãe da felicidade’ , é péssima conselheira.”

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SINAIS DE PONTUAÇÃO

VI – Os dois-pontos

Empregam-se os dois-pontos nos seguintes casos:

a) para introduzir uma citação:
Guimarães Rosa afirmava: “Viver é negócio perigoso”.

b) para enunciar uma enumeração:
Na pauta do dia, três assuntos palpitantes: educação, saúde, segurança.

c) para introduzir um aposto ou uma oração apositiva:
Só preciso de uma coisa: paz. (aposto)
Só lhes peço ma coisa: que me deixem em paz.(oração apositiva)

d) para anunciar uma conclusão, um resumo ou uma explicação:
Polícia despreparada: violência nas ruas.
Falou bobagem: pagou caro.

e) depois do vocativo nas correspoendências:
Senhor Secretário:
Meu prezado amigo:

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SINAIS DE PONTUAÇÃO

V – PONTO E VÍRGULA

Para começo de conversa, esqueça esse negócio de que o ponto e vírgula é “uma pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto”. Trata-se de um sinal que se convencinou usar em determinadas circunstâncias. Nada além. Emprega-se o ponto e vírgula nos seguintes casos:

a – para separar os itens de uma enumeração (lei, decreto, portaria, etc.):
Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente:

I- ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que não tiveram acesso na idade própria;

II – progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;

III- atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

IV – atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade;

V – acesso aos níveis mais elevados de ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

VI – oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador;

VII – atendimento no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
(Estatuto da Criança e do Adolescente)

b – para separar orações coordenadas assidéticas de sentidos opostos:
Um estuda e trabalha regularmente; o outro não passa de um vadio.
Eu conheço a verdade; você, não.
Pedro e Paulo partirão imediatamente; os outros permanecerão na fazenda.

c – para separar orações coordenadas sindéticas quando o conectivo aparece deslocado:

Ele trabalha regularmente; não produz, contudo, nada que se aproveite.
Eu não estava na cidade; não vi, portanto, o acidente.
O jantar está servido; jantemos, pois.

Observe que, nos três casos, os conectivos (contudo, portanto e, pois) estão deslocados.

d – para separar orações coordenadas assindéticas, em períodos longos, onde já existam muitas vírgulas:

O trânsito travou a cidade, começou a chover, os motoristas perderam a paciência; foi uma noite de caos e desespero.

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SINAIS DE PONTUAÇÃO

IV – Empregos da vírgula

Além de isolar o vocativo, como vimos na semana passada, a vírgula também é usada para:

2 – isolar ou separar o aposto:

O tempo, senhor de tudo, tem a palavra final
aposto

Paulo anda muito triste, coisas do coração.
aposto

Único metal líquido, o mercúrio é altamente tóxico.
aposto

Lembre-se de que nem todo aposto vem isolado por vírgula:

Dos homens, só espero uma coisa: justiça.
aposto

O professor Luiz Romero esteve aqui.
aposto

A cidade de Teresina é aprazível.
aposto

3 – indicar ou isolar adjuntos adverbiais deslocados:

Na semana passada, os alunos não fizeram prova.
adj. adverbial

O tempo, no inverno, é imprevisível.
adj. adverbial

A vida, atualmente, está complicada.
adj. adverbial

Pedro, com os amigos, chegou atrasado.
adj. adverbial

4 – indicar a supressão de um verbo na frase:

Na cidade, tudo parado.
O pai falou a verdade; o filho, não.
Em casa, todos bem.

5 – isolar expressões explicativas ou corretivas, do tipo: isto é; a saber, ou seja, outrossim, etc.

Ele disse tudo, ou melhor, disse o que a platéia queria ouvir.
Estão todos quietos, isto é, atentos à fala do orador.
Estão todos equivocados; o pai, por exemplo, não sabe o que diz.

6 – separar o local da data nas correspondências:

Teresina, 19 de março de 2008.
Brasília, 12 de outubro de 2007.

7 – isolar as orações adjetivas explicativas:

Deus, que é pai, não nos abandonará.
O homem, que é mortal, comporta-se como se não o fosse.
O tempo, que tudo pode, tem sempre a palavra final.

8 – separar as orações subordinadas adverbiais deslocadas:

Quando estou só, penso em você.
O garoto, se fosse rico, estaria em outro país.
O rapaz, embora seja culpado, permanece em liberdade.

9 – para separar as orações coordenadas assindéticas (sem conectivos):

“Vim, vi, venci.”
Cecília estuda, trabalha, ajuda a família.

10 – separar as orações coordenadas sindéticas, exceto as aditivas:

Ele estuda regularmente, mas não faz progresso.
Eu não estava na cidade, portanto nada sei do ocorrido.
Volte, porque estou muito só.

Obs.: Lembre-se de que, às vezes, a vírgula tem função puramente expressiva.

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SINAIS DE PONTUAÇÃO

III – EMPREGOS DA VÍRGULA

Inicialmente, uma observação: se você tem dificuldade para empregar corretamente as vírgulas, procure elaborar as frases na ordem direta: 1º SUJEITO; 2º VERBO; 3º COMPLEMENTOS VERBAIS; 4º ADJUNTOS ADVERBIAIS.

Veja a sentença:

OS ALUNOS FARÃO PROVA DE MATEMÁTICA NO FINAL DO TURNO.
1º 2º 3º 4º

Observe que, na frase, não existe nenhuma vírgula, uma vez que os termos estão dispostos na ordem direta. Se essa ordem for alterada, as virgulas aparecerão. Comprove:

NO FINAL DO TURNO, OS ALUNOS FARÃO PROVA DE MATEMÁTICA.
4º 1º 2º 3º

OS ALUNOS FARÃO, NO FINAL DO TURNO, PROVA DE MATEMÁTICA. 1º 2º 4º 3º

Lembre-se de as intercalações são isoladas por duas vírgulas. Veja:

O presidente Lula fez comício em favelas do Rio de Janeiro.
1º 2º 3º 4º

O presidente Lula, em favelas do Rio de janeiro, fez comício.

Observe que, entre o sujeito da frase e o verbo, intercalamos o adjunto adverbial: em favelas do Rio de Janeiro.

EMPREGA-SE A VÍRGULA:
1 – para isolar o VOCATIVO, onde quer que ele figure:

Meus irmãos, o tempo é o senhor de todas as coisas.
vocativo

O tempo, meus irmãos, é o senhor de todas as coisas.
vocativo

O tempo é o senhor de todas as coisas, meus irmãos.
vocativo

Lembre-se de que o VOCATIVO não pertence ao discurso, ou seja, não integra a estrutura da oração. É alguém ou algo chamado a ouvir, daí a necessidade da vírgula para indicá-lo.

Por hoje, é isso. Até a próxima.

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SINAIS DE PONTUAÇÃO

II – Emprego da vírgula

Na semana passada, vimos onde não usar a vírgula: entre os termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se diretamente entre si. Veremos hoje que é possível, sim, evitar as vírgulas “indigestas”.

Lembre-se que vírgula não tem nada a ver com “pausa respiratória”; trata-se de um sinal que isola ou separa termos deslocados. Compare as sentenças:

Os peregrinos partirão no final do dia.

No final do dia, os peregrinos partirão.

Os peregrinos, no final do dia, partirão.

Como se pode ver, à proporção que deslocamos ou intercalamos os termos da oração, as vírgulas vão aparecendo.

Regra prática para evitar as vírgulas: elabore as sentenças na ordem direta:

I – sujeito;

II – verbo;

III – complementos verbais (se o verbo os exigir);

IV – adjuntos adverbiais.

Comprove:

O mercado econômico viveu intensa turbulência na semana passada.
Sujeito verbo obj. direto adj. Adverbial

Na sentença acima, não há lugar para vírgula, visto estar elaborada na chamada ordem direta. Se alterarmos essa ordem, as vírgulas aparecerão:

O mercado econômico viveu, na semana passada, intensa turbulência.
intercalação

Na semana passada, o mercado econômico viveu intensa turbulência.
deslocamento

EXERCÍCIO

Experimente usar, adequadamente, as vírgulas no fragmento abaixo: O Brasil segundo os especialistas da área econômica está hoje melhor preparado para suportar as turbulências econômicas do que no passado. Por hoje, ficaremos por aqui. Na próxima semana, voltaremos ao assunto.

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SINAIS DE PONTUAÇÃO

I – EMPREGOS DA VÍRGULA:

Inicialmente, convém advertir: não se emprega a vírgula separando os termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se diretamente entre si. Logo não se usa vírgula separando:

a - O sujeito do verbo:

“O momento certo, requer o local ideal.
sujeito verbo

Você, certamente, percebeu que a inadequação da vírgula colocada entre o sujeito (O momento certo) e o verbo (requerer).

b - o verbo e os complementos verbais ( objeto direto e objeto indireto):

“ O tempo produz, efeito terríveis.”
verbo complemento verbal (obj. direto)

“O mundo necessita, de paz.”
verbo complemento verbal (obj. indireto)

c – O nome e complemento nominal:

“O paciente é insensível, ao medicamento prescrito.”
nome complemento nominal

Certamente você percebeu que, em todos os exemplos citados, a vírgula foi usada inadequadamente, ou seja, foi empregada separando aqueles termos que, sintaticamente, ligam-se diretamente entre si.

Uma explicação necessária: Em tais casos, só se admite a vírgula se houve a intercalação de um termo que não tenha ligação direta com os dois outros. Veja o exemplo: “O momento certo, todos sabem, requer o local ideal”. Observe que, entre o sujeito e o verbo, intercalou-se a oração: todos sabem. No caso, a vírgula não está separando o sujeito do verbo, mas isolando o termo intercalado. Mais exemplos:

Os brasileiros, no período do carnaval, não respeitam horários.
sujeito termo intercalado verbo

O parlamentar possui, afirmam os jornais, contas no estrangeiro.
verbo oração intercalada objeto direto

Todos anseiam, em face dos acontecimentos, por notícias confiáveis.
verbo termo intercalado objeto indireto

Na próxima semana, voltaremos ao assunto. Até lá.

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CRASE (3)

Crase nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas.

Ocorre crase em tais locuções, desde que tenham como núcleo um substantivo feminino.

Explicando:

Paulo faz tudo apressadamente = Paulo faz tudo às pressas.

Veja que a locução às pressas corresponde ao advérbio apressadamente.

Mais exemplos de locuções adverbiais:

Agir às escondidas é prática recriminável.

O parlamentar, à época, morava em Brasília.

Você, às vezes, é extremamente ríspido.

Sairemos todos às dez horas e só retornaremos à noitinha.

Obs.: Não confundir a locução adverbial à toa com o adjetivo à-toa.

Veja: Por perambular à toa pelo mundo, há quem a considere uma mulher à-toa.

Observe que o adjetivo à-toa está modificando o substantivo mulher.

Locuções prepositivas:

No momento, estão à procura de um culpado.

Não seria exagero afirmar que a cidade está à mercê dos bandidos.

Na porta da escola, está à espera do filho.

Naquela idade, ainda vive à custa do pai.

Locuções conjuntivas:

À proporção que estudo, descubro que nada sei.

À medida que envelhecemos, tornamo-nos mais tolerantes.

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CRASE (2)

CRASE DA PREPOSIÇÃO A COM O A QUE INICIA OS PRONOMES DEMONSTRATIVOS AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO, A, AS.

Ocorre crase quando a palavra da esquerda exige a preposição a e a palavra da direita é um dos pronomes: aquele, aqueles, aquela, aquelas, a, as. Comprove:

Não devo satisfação a aquela gente estúpida = Não devo satisfação àquela gente estúpida. O diretor fez referência a aquele incidente triste = O diretor fez referência àquele incidente triste. Isto não é igual a aquilo= Isto não é igual àquilo. Observe que a crase resulta da fusão do a, preposição, com o a que inicia um dos pronomes demonstrativos citados.

Vejamos, agora, a fusão da preposição a com o a(s), pronome demonstrativo.

A proposta que você fez é semelhante a a que fiz = A proposta que você fez é semelhante à que fiz. Ele veste uma camisa idêntica a a que você me deu = Ele veste uma camisa idêntica à que você me deu. As exigências que se fazem aqui são iguais a as que se fazem lá= As exigências que se fazem aqui são iguais às que se fazem lá.

Um expediente para descobrir se, em tais casos, ocorre ou não crase: basta trocar a palavra feminina (anterior) por uma palavra masculina. Se em lugar do A aparecer o AO, ocorreu crase. Confira: A estrada que leva ao rio é paralela a que passa no povoado – O caminho que leva ao rio é paralelo ao que passa no povoado – logo: A estrada que leva ao rio é paralela à que passa no povoado.

Por hoje, é só.

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