Archive for the 'Poesias Sempre' Category

TRÊS DA MADRUGADA

Ouvir

Composição: Torquato Neto / Carlos Pinto
Interpretação: Gal Costa

Três da madrugada
Quase nada
A cidade abandonada
E essa rua que não tem mais fim
Três da madrugada
Tudo e nada
A cidade abandonada
E essa rua não tem mais nada de mim
Nada
Noite, alta madrugada
Essa cidade que me guarda
Que me mata de saudade
É sempre assim
Triste madrugada
Tudo e nada
A mão fria, a mão gelada
Toca bem de leve em mim
Saiba
Meu pobre coração não vale nada
Pelas três da madrugada
Toda a palavra calada
Dessa rua da cidade
Que não tem mais fim
Que não tem mais fim
Que não tem mais fim.

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GO BACK

Letra: Torquato Neto
Interpretação: Edvaldo Nascimento

Você me chama
Eu quero ir pro cinema
Você reclama
Meu coração não contenta
Você me ama
Mas de repente
A madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
E se passou, passou
Daqui pra melhor, foi
Só quero saber do que pode dar certo
Não tenho tempo a perder.

Ouvir

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ANTOLOGIA: DA COSTA E SILVA

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DOBAL

A lembrança de ti vara o silêncio
no longínquo espaço das ausências.

Em que taça, poeta, bebes agora as luzes que
[ desejas?

Meu coração é um pássaro
alongando o céu das incertezas.

Posso supor que onde estás
germinem sóis
e só é possível ser feliz.
Que possas andar solto
ouvindo conchas, tecendo brisas
para pescar teus novos peixes
ou que os poemas sejam constelações
onde as palavras explodem
na intimidade dos segredos.

Suponho também
que possas se quiser
ser menino outra vez
e brincar na sala dos espelhos.

Mas são apenas suposições.
De certo, sei dos versos que ficaram
no verde campo das eternuras
onde o tempo esquece seus degraus.

Graça Vilhena

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CANTIGA DE VIVER

Sozinho na cama
um homem espera sua hora.
A inesperada hora de tantos.

A vida é uma cantiga triste
mais triste e à-toa que a das andorinhas
— Las oscuras golondrinas
tão mal vivida
tão mal ferida
tão mal cumprida.

A vida é uma cantiga alegre:
O primeiro sorriso de cada filho
E todos os microamores
Que inutilizam
A vitória da morte.

H. Dobal

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SOFISMA

Mentir por uma boa causa
é nobre
ético
normal.
Mentir sempre que preciso
ao inquisidor
ao amante desprezado
ao doente terminal.
A verdade é uma só.
Mentiras, quantas eu queira.
Por que contar a verdade
e não a mentira verdadeira?

(Lauro Esteves – Poemas Cariocas)

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APARIÇÃO

Poesia: Cineas Santos / Fotografia: Rosilândia Melo

Poesia: Cineas Santos / Fotografia: Rosilândia Melo

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TERESINA

Para Luiz Romero

Procuro meu rosto
desgarrado em tuas vias;
caminho sob os oitis
da Praça da Bandeira
(que me não viram chegar
numa manhã de domingo)
com a solidão no calcanhar.

(Ali,
ao sol de novembro
em que assinei sem saber
o preço da poesia).

Procuro de porta
em porta
(onde vendi sonho a crédito)

tuas ínfimas impressões
no intraduzível ontem.

Procuro por toda a parte,
no aroma dos quintais,

no desenredo das ruas,
nos espelhos desarmados,

essa intima refulgência
com que forjaste meu caule.

Salgado Maranhão

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OS PASSARINHOS

Para nos deliciar,
Deus criou os passarinhos,
Pra serem nossos vizinhos,
E viverem a cantar.

Nas mangueiras do pomar,
Fazem seus mimosos ninhos,
Pensando nos filhotinhos,
Que não tardarão a chegar.

Porém os gananciosos,
Com seus atos criminosos,
Os prendem sem precisão.

Pra serem negociados,
E também sentenciados,
A morrerem na prisão.

BARRIPI

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POEMA DE SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra disse:
Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade

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