Archive for janeiro, 2008

O SERTÃO NÃO VIROU MAR

Vez que outra, o sertão que ainda me habita reclama a presença do outro sertão, aquele que um dia habitei nos idos da infância. Quando isso acontece, não me resta outra saída a não ser desapracatar-me rumo ao Caracol, mesmo sabendo que, hoje, Campo Formoso não passa de uma expressão poética boiando no rio da memória. Seu Liberato, que não teve a intuição conspurcada pelos “saberes” da escola, sentenciava: “Com as primeiras águas, todos os viventes buscam o seu lugar de origem”. Está explicado.

Na semana passada, voltei ao meu lugar de origem, ou melhor, ao que dele sobrou: uma capoeira infestada de carrapicho. Em São Raimundo Nonato, convoquei a irmã querida para a inútil jornada ao passado. Como quem tenta montar as peças de um quebra-cabeça mágico, percorremos estradas, caminhos e carreiros à procura do inencontrável: os rastros da infância. De qualquer forma, fizemos boa colheita: “descobrimos” uma árvore bonita que não conhecíamos; visitamos duas tias velhas queridas, uma delas – Odete – foi quem inoculou em mim o vírus da poesia. De quebra, ainda reencontramos um primo tresmalhado (uma torrente de causos) que não víamos há meio século.

Ao contrário do que vaticinava nosso tio Conselheiro, o sertão não virou mar; diluiu-se para integrar-se definitivamente à aldeia global. Espectros de árvores mortas, as antenas parabólicas espetam o chão dos cercados. Nas saletas rústicas, em vez de oratórios, as telinhas azuis anunciam as alvíssaras do capitalismo mundializado, que acena com a felicidade eterna em módicas prestações mensais. Nas bodegas de beira de estrada, os sertanejos já não contam histórias de trancoso; discutem, com o mais vivo entusiasmo, o destino dos participantes do BBB – 2008. Motos barulhentas percorrem as trilhas que outrora pertenciam aos jegues. As únicas coisas que permanecem imutáveis são o sol e a escassez de chuvas. Ê sertão!

Em São Raimundo, apesar do carinho de dona Dezinha, me sinto um tantinho exilado: me faltam o café forte de d. Purcina, o abraço do Paredão, os relaxos do Edison, o chamado do sino da capelinha da aldeia, a música dos chocalhos dos jegues dos catingueiros chegando para a feira… A Feira, aos sábados, era uma atração à parte, um universo rico e multicolorido, onde se misturavam o pregão do Zé Pança – Olha a besta gorda. Filas! – o som do cavaquinho troncho do Paizinho, a arenga do Raimundinho Graiada, o cheiro do bolo frito da Santa Preta, as imprecações do Marquinho, mais conhecido como Bode… Tudo isso se perdeu na poeira do tempo. São Raimundo, que ostenta, orgulhosamente, o título de “ capital da pré-história”, poderia, se quisesse, reivindicar para si o título de cidade mais barulhenta do universo: motos estrepitosas, carros de som e bandas de forró produzem aquilo que o Batista da Antônia chamava de “trabuzana dos infernos”.

Encharcado de não-sertão, regressei à minha aldeia que, de cara lavada pelas primeiras chuvas, recebeu-me de braços abertos. Teresina, é por ti que erra meu coração cansado de inúteis embates. Tem razão o poeta medíocre: “A vida em teu seio é mais amena”…

Cineas Santos

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4º FESTIVAL NACIONAL DE VIOLÃO DO PIAUÍ

O interesse pelo violão clássico no Piauí, notadamente em Teresina, tem crescido bastante nos últimos anos, o que se deve, em parte, ao trabalho persistente e conseqüente do professor e violonista ERISVALDO BORGES que, numa iniciativa quase solitária, ao longo de 20 anos de dedicação ao ensino do violão e à atividade concertística, conseguiu formar vários instrumentistas que, hoje, compartilham com ele o sonho de tornar o violão clássico cada vez mais presente na vida dos piauienses. Trata-se de um projeto perfeitamente exeqüível, mas que, certamente, exige o trabalho, persistência e ousadia. Desde a primeira edição do FESTIVAL NACIONAL DE VIOLÃO DO PIAUÍ, ocorrida em 2004, o número de estudantes de violão no Piauí cresceu de forma acentuada. O cenário atual é promissor e coloca Teresina como pólo violonístico das regiões Norte e Nordeste de Brasil. O FESTIVAL NACIONAL DE VIOLÃO DO PIAUÍ atrai anualmente para o Piauí, dezenas de estudantes de violão de todas as regiões do país. Para a quarta edição do FESTIVAL NACIONAL DE VIOLÃO DO PIAUÍ espera-se que esse número seja ainda maior, dada a crescente repercussão a cada edição do festival.

O FESTIVAL NACIONAL DE VIOLÃO DO PIAUÍ tem um papel muito importante no cenário violonístico brasileiro porque descentralizou o ensino do violão no país, antes apenas privilégio do eixo Sul-Sudeste. Antes da criação deste festival, os nossos estudantes de violão teriam que deslocar de 2.000 a 3000 km para poder participar de um festival de violão, aventura que apenas um ou outro podia fazer. Hoje, os nossos estudantes de violão têm aulas e assistem a palestras e concertos, gratuitamente, com os melhores violonistas da atualidade, do Brasil e do exterior.

Nada mais oportuno, portanto, do que a consolidação deste núcleo disseminador da cultura violonística nas regiões Nordeste e Norte do país, tendo como sede a capital do Piauí. Entre outras razões, bastaria citar a receptividade do público piauiense a eventos culturais de grande porte como o SALÃO DE HUMOR DO PIAUÍ, a PIAUÍ POP, o SALÃO DO LIVRO DO PIAUÍ, para citar apenas alguns.

O 4º FESTIVAL NACIONAL DE VIOLÃO DO PIAUÍ será realizado pela OFICINA DA PALAVRA EMPREENDIMENTOS CULTURAIS e acontecerá na cidade de Teresina-PI (Brasil) entre os dias 21 e 24 de fevereiro de 2008.

VIOLONISTAS CONVIDADOS

ANA VIDOVIC (Croácia / EUA)
FABIO ZANON (São Paulo)
ERISVALDO BORGES (Piauí)
GILSON ANTUNES (São Paulo / Paraíba)
HENRIQUE PINTO (São Paulo)
JOÃO CARLOS VICTOR (Bahia)
NONATO LUIZ (Ceará)
SEBASTIÃO TAPAJÓS (Pará)

Programação completa

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