Archive for fevereiro, 2009

DAS COISAS QUE PRECISO APRENDER

Decididamente preciso aprender a conter-me, a calar-me, a travar a matraca. Figura, no folclore da família, a versão de que até os dois anos de idade não demonstrei o menor interesse pela língua pátria. Chegaram a julgar-me mudo. Consta, no entanto, que eu me entendia bastante bem com um gato pardacento, com um vira-lata bandoleiro e, principalmente, com uma cabrita enjeitada. Sem comércio com os adultos, deambulávamos pelos desvãos da casa como sombras errantes. Vai que um dia, uma tia industriosa resolveu recorrer a uma simpatia, muito comum no sertão, para destravar línguas e curar mudez incausada: dar ao vivente água num chocalho. Até aí, nada de extraordinário: tal simpatia era prática recorrente naquele mundinho sem porteiras. O problema é que a tia me deixou de posse do chocalho. Na metade do dia, bebi um quarto da água da chuva armazenada num alguidar. Por pouco, não me afoguei por dentro.

Uma semana mais tarde, desandei a falar sandices com tal desenvoltura que meu pai, um sertanejo de hábitos morigerados, não conteve o entusiasmo: “Esse menino vai acabar político”. Precisa e exata como a palavra não, dona Purcina atalhou: “Quando muito, chegará a camelô”. Acertou em cheio: não passo de um camelô falastrão e destemperado que, com muita frequência, mais afugenta que atrai fregueses. Fazer o quê?

Na semana passada, por exemplo, envolvi-me em dois incidentes bastante desagradáveis. Convidado a participar de um debate com estudantes de uma faculdade da rede privada, dividi a empreitada com o glorioso João Cláudio Moreno. A bem da verdade, uma temeridade: os dois sofremos de incontinência verbal. A diferença é que o João é muito mais competente do que eu e infinitamente mais engraçado. Caberia a ele falar de ética, cabendo-me a incumbência de tratar da importância da leitura na formação do cidadão. Durante umas duas horas, proseamos com a moçada sem maiores problemas. No final da arenga, a coordenadora do evento me pediu que lesse um texto de Pablo Neruda, “muito apropriado para o momento”. Peguei o texto e, pelo cheiro, percebi tratar-se de um “autêntico” Neruda paraguaio. O texto era uma xaropada indigesta, misto de autoajuda com corrente da felicidade, desses que se encontram aos milheiros na internet, sempre de “autoria” de um figurão: Borges, Drummond, Veríssimo, Millôr, etc. Neguei-me a ler o texto e conclamei os alunos a não copiarem nem reproduzirem textos pescados na internet sem conferir a legitimidade da autoria. Constrangimento total.

No dia seguinte, passei no auditório do SEBRAE para cumprimentar uma professora amiga, que ministrava palestra sobre o malsinado Acordo Ortográfico. A cidadã acabara de fazer sua explanação e propôs aos alunos a correção de um exercício. Pedi permissão para discordar de uma palavra cujo emprego do hífen me pareceu inadequado. A professora se sentiu “ofendida, agredida e desrespeitada”. Nos dois casos, eu tinha razão, mas devo ter errado no tom. Foi necessário um dilúvio para apagar a fogueira que, involuntariamente, acendi. Por essas e outras, decidi impor-me uma espécie de “silêncio obsequioso” como faz a Santa Madre Igreja com os padres rebeldes. A partir de agora, diariamente, passarei duas horas sem falar nem com os meus botões. Calado, posso passar por sábio. Assim seja.

Cineas Santos

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GANHADORES DO V CONCURSO NACIONAL DE INTERPRETAÇÃO VIOLONÍSTICA DO V FENAVIPI

1º LUGAR – FRANCIEL MONTEIRO
- Estudo Op. 6, Nº 12 (Fernando Sor)
- Estudo Op. 29, Nº 17 (Fernando Sor)
- Sonata Giocosa – I e III Movimentos (Joaquin Rodrigo)

2º LUGAR – VICTOR MANUEL DE SOUSA CASTRO
- Hommage a Villa-Lobos – Climazione – Andantinostalgie – Tuhu (Roland Dyens)

3º LUGAR – ANDRÉ MOREIRA RODRIGUES
- Fuga BWV 997 (Johann Sebastian Bach)
- El Decameron Negro – III Mov. (Leo Brouwer)

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SEMIFINAL DO V CONCURSO INTERNACIONAL DE INTERPRETAÇÃO VIOLONÍSTICA DO V FENAVIPI

CLASSIFICADOS:

- Renan Colombo Simões
- André Moreira Rodrigues
- Victor Manoel de Sousa Castro
- Pedro Bernardi-Noleto
- Eduardo Paes Barretto
- Edigar Monteiro Cavalcante Neto
- Franciel Monteiro
- Christian Alberto Weik
- Conan Mendes da Silva
- Thiago Fernando Bandeira de Lima

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ECOS DE UNIÃO (II)

Contratado pelo prof. José Barros, então secretário de educação e cultura do Piauí, em agosto de 2006, passei uma semana na sede do município de União ministrando curso de português para professores da rede estadual de ensino. Desencantado com o que vi, publiquei, neste espaço, um arremedo de crônica onde afirmei: fazia um tempinho que eu não visitava União, cidade pela qual tenho o maior apreço. Confesso, com uma pontinha de desalento, que o que vi não me deixou entusiasmado. A estrada, outrora belíssima, transformou-se num imenso canavial. Entristeceu-me ver a voracidade com que a cultura da cana engole os babaçuais. E, por favor, não me digam que isso representa “mais divisas para o Estado” ou coisa do gênero. Derrubar babaçu para plantar cana não me parece conduta das mais sensatas. O babaçu é endêmico, não degrada o solo, não necessita de adubo ou herbicida e, explorado racionalmente, é rentável do ponto de vista econômico.

Assustado com o nível de assoreamento do Parnaíba, prossegui: a tristeza maior foi constatar o estado deplorável do rio Parnaíba. Em vez de rio, o que se vê é um imenso banco de areia, cortado por minguantes filetes de água. Em União, mais do que em qualquer parte do Piauí, é visível a lenta agonia do segundo maior rio do Nordeste. O famoso Porto do Estanhado já não passa de remota lembrança na memória de pouca gente… Se falta apreço pela memória, sobram exemplos de desperdício do dinheiro do contribuinte: ao lado do “Colégio Fenelon Castelo Branco”, o esqueleto de um imenso prédio público apodrece a céu aberto. Fui informado de que o prédio, construído em local inadequado, destinava-se ao mercado público de União. Enquanto isso, o centro da cidade vai-se transformando num imenso camelódromo. Uma incômoda novidade ganha espaço nas ruas da cidade: os carros de som que, aos berros, anunciam qualquer coisa: de remédio para frieira a virtudes de candidatos que só aparecem na terrinha em período de eleição. Haja paciência!

Terminei a minha arenga elogiando um grupo de jovens que, aos trancos e barrancos, editava um jornalzinho mimeografado à maneira dos pasquins que circulavam pelo Brasil inteiro na década de 70. Uma semana depois, encontrei-me com a matriarca do clã que governava a cidade e ouvi poucas e boas. Entre outras delicadezas, a cidadã me recomendava “usar óculos de grau para ver as boas coisas da vida, já que eu só conseguia enxergar o lado negativo”. Normalmente, não costumo ouvir desaforos sem dar o troco. Mas, como se tratava de uma venerável senhora, deixei barato. Limitei-me a sorrir e a sair de perto.

No início desta semana, voltei a União para proferir palestra (sem ônus para o contribuinte) na abertura da “semana pedagógica do município”. Constatei, com a maior tristeza, que a situação está um pouco pior. José Barros, agora prefeito de União, ainda não teve tempo de pôr ordem na casa, se é que vai conseguir. Aproveito a oportunidade para mandar um recado à cidadã que me passou a reprimenda em 2006. Precisa usar óculos, minha senhora, quem tem o dever de cuidar da coisa pública e não o faz por miopia e interesses escusos. Tenho dito.

Cineas Santos

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PROGRAMAÇÃO DO V FENAVIPI

MASTERCLASS – 200 VAGAS (Auditório do Centro de Formação Prof. Odilon Nunes).

13/02/2009 – Das 8h às 11h – Masterclass com FABIO ZANON (seleção de 04 alunos).

13/02/2009 – Das 14h às 17h – Masterclass com Ana Vidovic (seleção de 04 alunos).

14/02/2009 – Das 8h às 11h – Masterclass com Sebastião Tapajós (seleção de 04 alunos).

14/02/2009 – Das 14h às 16h – Masterclass com Nonato Luiz e Erisvaldo Borges (seleção de 04 alunos).

15/02/2009 – Das 08h às 11h – Masterclass com MARCO PEREIRA (seleção de 04 alunos).

RECITAIS

ANA VIDOVIC 12/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 20h

COSMO E DAMIÃO 13/02/2009 TEATRO DE ARENA 08h

GERALDO BRITO, VANDA QUEIROZ EROSINHA AMORIM 13/02/2009 ESCOLÃO DO MOCAMBINHO 10h

ORQUESTRA DE VIOLÕES DE TERESINA 13/02/2009 E. M. SOCORRO SILVA (ESPLANADA) 09h

ORQUESTRA DE VIOLÕES DE TERESINA 13/02/2009 E. M. ZORAIDE ALMEIDA 10h

DUO COSMO E DAMIÃO 13/02/2009 UDITÓRIO M. PAULO NUNES (OFICINA DA PALAVRA) 10h

ERISVALDO BORGES e ORQUESTRA SINFÔNICA DE TERESINA 13/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 11h

ORQUESTRA DE VIOLÕES DE TERESINA 13/02/2009 E. M. EXTREMA 15h

ORQUESTRA DE VIOLÕES DE TERESINA 13/02/2009 E. M. VALTER ALENCAR 16h

1ª SEMIFINAL DO V CONCURSO DE INTERPRETAÇÃO VIOLONÍSTICA DO V FENAVIPI 13/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 17h e 30min

MARCO PEREIRA 13/02/2009 TEATRO MUNICIPAL JOÃO PAULO II 20h

JOSUÉ COSTA E LUISA MIRANDA 14/02/2009 TEATRO DE ARENA 08h

FELIPE VILARINHO 14/02/2009 TEATRO DO BOI 10h

EMANUEL NUNES 14/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 11h

2ª SEMIFINAL DO V CONCURSO DE INTERPRETAÇÃO VIOLONÍSTICA DO V FENAVIPI 14/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 16h e 30min

NONATO LUIZ 14/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 18h

FABIO ZANON 14/02/2009 TEATRO MUNICIPAL JOÃO PAULO II 20h

ORQUESTRA DE VIOLÕES DE TERESINA 15/02/2009 TEATRO MUNICIPAL JOÃO PAULO II 10h

RECITAL COM OS ALUNOS DO V FENAVIPI – 15/02/2009 PARQUE AMBIENTAL ENCONTRO DOS RIOS 10h

SEBASTIÃO TAPAJÓS – 15/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 11h

MESA-REDONDA COM TODOS OS CONVIDADOS DO V FENAVIPI 15/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 14h e 30min

RECITAL DOS ALUNOS DO V FENAVIPI – 15/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 16h

FINAL DO V CONCURSO DE INTERPRETAÇÃO VIOLONÍSTICA DO V FENAVIPI 14/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 17h

ENCERRAMENTO DO V FENAVIPI 15/02/2009 15/02/2009 CENTRO DE FORMAÇÃO PROF. ODILON NUNES 20h

Toda a programação do V FENAVIPI é gratuita.
Às Masterclass e Palestras terão acesso somente os inscritos no V FENAVIPI.

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NONATO LUIZ E SEBASTIÃO TAPAJÓS NO FENAVIPI

Os violonistas Nonato Luiz e Sebastião Tapajós estão confirmados na programação do V Festival Nacional de Violão, que acontece de 12 a 15 de fevereiro, em Teresina. Nonato Luiz sobe ao palco do Centro de Formação Professor Odilon Nunes no dia 14, às 18 horas; e Sebastião Tapajós se apresenta no dia 15, também no Odilon Nunes, às 11 horas.

A atração internacional do Festival fica por conta da croata Ana Vidovic, que marcou presença no Fenavipi durante o ano passado. “A chinesa Xuefei Yang, que viria este ano, teve problemas com seu passaporte e não poderá participar do Festival. No entanto, teremos novamente a presença da violonista Ana Vidovic, que é uma extraordinária violonista”, afirma Erisvaldo Borges, coordenador do Fenavipi, evento apoiado pela Prefeitura Municipal de Teresina através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves.

Além dos grandes nomes nacionais e internacionais do violão, o Festival vai realizar ainda a 5ª edição do Concurso Internacional de Interpretação Violonística, que premia novos talentos das cordas. Este ano, os candidatos são: Renan Colombo Simões, André Moreira Rodrigues, Victor Manoel de Sousa Castro, Pedro Bernardi-Noleto, Eduardo Paes Barretto, Edigar Monteiro Cavalcante Neto, Franciel Monteiro, Christian Alberto Weik, Conan Mendes da Silva e Thiago Fernando Bandeira de Lima.

Uma novidade deste ano será a realização de um recital com os alunos inscritos no Fenavipi, dia 15, às 10 horas, no Encontro dos Rios. “Os alunos também vão se apresentar no Espaço Odilon Nunes, dia 15. Nesse mesmo dia, às 15 horas, haverá uma mesa redonda com todos os participantes”, afirma Erisvaldo Borges.

Fonte: FCMC

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DA NECESSIDADE DE CONSTRUIR PONTES

A bem da verdade, à frente da Fundação Municipal de Cultura Mons. Chaves, até o momento, limitei-me a tapar goteiras e a tentar desvencilhar-me do cipoal burocrático que inviabiliza qualquer iniciativa cultural. A despeito disso, dois dos projetos que concebemos já estão em curso: o Teresina Visita e o Musica na Praça. O primeiro foi lançado oficialmente no dia 24 de janeiro quando das comemorações do 186º aniversário da adesão do Piauí à Independência do Brasil, na cidade de Oeiras. O segundo, lançado no dia 1º do corrente, teve lugar no “Encontro das águas”, em Teresina.

Simples em sua concepção, os dois projetos têm, em nosso entender, grande alcance cultural. O Teresina Visita tem como objetivo principal estabelecer um diálogo permanente e consequente com os demais municípios do Estado. Parece-nos da maior importância implementar esse intercâmbio que fortalecerá os laços entre os municípios do Piauí. Não por acaso, escolhemos Oeiras para o lançamento do projeto: ali, sob as benções de Nossa Senhora da Vitória, nasceu a província do Piauí. No final da solenidade promovida pelo Governo do Estado, a Orquestra Sinfônica de Teresina, sob a regência do maestro Aurélio Melo, apresentou cinco peças musicais: “Abertura de Carmem”, de Bizet; “Abertura 1812”, de Tchaikovsky”; “Graça Infantil”, de Posidônio Queiroz, e duas peças populares: “Coração Santo” e “Queremos Deus”, interpretadas pela soprano Luíza Miranda, tendo como coro uma plateia com mais de 300 vozes. Uma noite para não ser esquecida. Faço questão de registrar aqui a participação de um cidadão que, sem ocupar qualquer cargo público, teve participação decisiva na presença da Orquestra Sinfônica em Oeiras. Trata-se de Joaquim Oeiras que, disparando e-mails em todas as direções, fez gestão no sentido de sensibilizar as autoridades para que a Orquestra se apresentasse na velha capital. Joca, quando encasqueta com uma idéia, é capaz de (re)mover montanhas.

Quanto ao segundo projeto, trata-se de uma iniciativa que tem por finalidade oferecer aos teresinenses mais uma opção de lazer. A partir de hoje, em vários pontos da cidade, as 26 bandas mantidas pela Prefeitura de Teresina estarão tocando em espaços públicos. Sob o comando do músico Wilker Marques, as bandas estudantis e profissionais farão apresentações em parques, praças e colégios de Teresina. O projeto será implementado com a participação da Secretaria da Juventude, da SEMDEC, da SEMEC e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, sob a chancela da Fundação Municipal de Cultura Mons. Chaves.

Mais três projetos serão lançados até março: Arte Itinerante, Picoler e Arte na Escola. O primeiro, uma trupe constituída de 6 artistas, fará intervenções rápidas (30 minutos em média) em mercados públicos, paradas de ônibus, feiras livres, praças, etc. O segundo será dirigido especificamente ao público infantil e infanto-juvenil e visa incutir nas crianças o gosto pela leitura. O terceiro, em parceria com a SEMEC, terá como público-alvo os estudantes da rede municipal de ensino. São projetos simples, relativamente baratos que, se realizados com êxito, poderão mudar, para melhor, a face cultural da “cidade amada”. Assim seja.

Cineas Santos

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