Em menos de duas semanas, experimentei a satisfação de participar de dois salões de livros realizados no Piauí: 1ª edição do SALIPA, em Parnaíba, e a 5ª edição do Salão do Livro de Elesbão Veloso. Em setembro, teremos a 6ª edição do salão de Valença. Picos, por sua vez, já sinalizou que, ainda este ano, pretende realizar um grande salão. O exemplo de Parnaíba deve sensibilizar outros municípios da região norte, como Piripiri, Esperantina, Barras, etc; o de Picos, poderá ser imitado por Oeiras, Floriano, São Raimundo Nonato.É bom acreditar que, um dia, todos os municípios piauienses realizarão eventos do gênero. Utopia? Pode ser, mas sem ela como continuar avançando?
O Salão do Livro de Parnaíba já nasceu grande: entre os autores convidados, marcaram presença: Moacir Scliar, Assis Brasil e Ana Miranda, entre outros. O público, por sua vez, compareceu em massa e a Prefeitura da cidade comprometeu-se a viabilizar as próximas edições do SALIPA. É muito bom ver os parnaibanos, sempre refratários a novidades, abraçarem carinhosamente um evento que aponta para o futuro.
A realização de festivais, feiras e salões nos municípios piauienses tem demonstrado claramente a importância da cultura, não apenas na elevação da autoestima da população, mas no fomento à economia regional. Enganam-se os que acreditam ser a cultura apenas entretenimento; cultura é investimento com retorno garantido. Pedro II, Castelo, Batalha, São João do Arraial, Pio IX, Campo Maior, São Raimundo Nonato, Oeiras e Alto Longa que o digam.
Com alguma regularidade, tenho visitado os municípios piauienses e posso afirmar que o trabalho realizado pela Sônia Terra, à frente da FUNDAC, vem frutificando. Sônia acredita nas ações pequenas, pontuais, permanentes. Quando lhe pedem dinheiro para a contratação de bandas do Ceará ou da Bahia, desconversa e pergunta: “Quantas oficinas de arte vocês querem?”. É escusado afirmar que nem todos ficam satisfeitos, mas a estratégia tem dado certo: multiplicam-se, no interior do Piauí, os “fazedores” de cultura.
Dois pequenos municípios piauienses podem ser tomados como exemplos de que investir em cultura é rentável: São João do Arraial e Vila Nova do Piauí. No primeiro, realiza-se, anualmente, um belo festival que envolve praticamente toda a população do município. No segundo, um encontro cultural que atrai gente de municípios vizinhos. Há uns três anos, estive em Vila Nova e constatei algo que me deixou muito feliz: a “Biblioteca Patativa do Assaré”, orgulho dos vilanovenses, tem um acervo três vezes maior que a população do município, que não chega a 4 mil habitantes. O único prédio vistoso da cidade, à época,era justamente o da biblioteca pública. Lá, vi algo extraordinário: antes de convidarem Assis Brasil para participar da festa, compraram os livros do autor para serem adotados nas escolas do município. A maioria dos alunos efetivamente leu a obra de Assis. Que gestos como este possam servir de exemplos para municípios maiores e mais prósperos. Penhorada, a cultura piauiense agradecerá.
Cineas Santos