Vista à distância, Vila Nova do Piauí mais parece um desses arruados que nascem espontaneamente à margem das rodovias. Desmembrado de Padre Marcos há 14 anos, com uma população minúscula (menos de 4 mil habitantes), o município de Vila ainda tem muitos desafios a vencer, o mais urgente deles: solucionar o problema de água potável. Nos meses de estiagem, a prefeitura ainda tem de recorrer aos velhos carros-pipas para amenizar o problema. A despeito disso, Vila Nova ostenta um dado de matar de inveja a maioria dos municípios brasileiros: nos últimos dois, a mortalidade infantil foi reduzida a zero, isso mesmo. Não se registrou a morte de nenhuma criança.
Mas os vila-novenses têm outro motivo para se orgulhar da terrinha onde vivem: uma excelente biblioteca com 13 mil volumes, e uma média de 700 consultas por mês. A Biblioteca Patativa do Assaré foi construída antes da edificação da igreja. Não bastasse isso, a cidade é pacífica, as mulheres são belas e os rapazes, para cortejá-las, fazem poemas, bateladas de poemas. Não por acaso, a Vila já ostenta o título de “Cidade Poesia”.
Situada num ponto equidistante entre Ceará e Pernambuco, Vila Nova ameniza a aridez da paisagem com manifestações culturais ricas e variadas. Neste mês, por exemplo, entre os dias 11 e 14, realizou-se a 3ª edição do Congresso de Cultura, que contou com a participação de, entre outros: Assis Brasil, Rosemberg Cariri, Chagas Vale, Luiz Romero, Jurdam Gomes, Nilson Ferreira, Hipólito Moura, João Lourenço, Jailson Luz, Dorgival Dantas e Luís Varão. O homenageado desta edição foi Patativa do Assaré, cujo centenário de nascimento se comemora este ano. Representando o clã do velho poeta, esteve presente Pedro da Silva, filho mais novo de Patativa. Música, teatro, oficinas, debates, lançamento de obras literárias, desafios de violeiros, forró, feira de livros e produtos artesanais e, principalmente, uma plateia atenta e generosa, composta de gente de todas as idades. Nada menos de 600 pessoas, com representantes de 16 minicípios vizinhos, participaram do evento. Uma festa de encher olhos e corações .
Vila Nova é uma clara demonstração do poder transformador da cultura e da arte e de sua capacidade de elevar a autoestima do povo. No rosto de cada vila-novense, percebe-se nitidamente o orgulho dos que não pedem licença para existir. Longa vida, plena e luminosa, à brava gente da VILA.
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